terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Sou uma dilaceração infinita.
Há uma série de coisas na vida que parecem tão importantes que se não as fazemos durante muito tempo, parece tempo perdido.
Esses dias vi uma leitora comentando sobre seus projetos de leitura e percebi que ela repetia várias vezes a frase "vou reler este livro ano que vem".
Passei um tempo a questionar-me do porquê esta pessoa faz tantas releituras mas agora, pensando melhor, ela está certa; acho.
Há tantas coisas que são as nossas favoritas da vida e passamos tempo sem as fazer que por vezes parece que perdemos esse tempo passado sem ela
Porém, excetuando os longos períodos que perdemos com trabalhos irrelevantes e estudos inúteis, a realidade é que não existe realmente tempo perdido.
Talvez seja uma forma interessante de viver a de deixar gigantes para trás.
Viver como experimentalista é uma posição que valorizo muito.
Para ilustrar o texto deixarei uma canção do António Variações chamada Estou Além:

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Pernas bonitas, solidão e Memes

Preconceitos.
Hoje vi o episódio do Nerdologia sobre memes. Já conhecia a ideia, não por ter lido o gene egoísta, porém sim por um amigo que o leu. Fiquei curioso para saber se podemos estudar a gênese de preconceitos usando o conceito de memes.
Quero ler o relojoeiro cego, ou qualquer outro livro do Dawkins quando terminar de ler a pilha que montei.

Hoje assisti pela primeira vez Star Wars - Uma nova esperança. Vendo a Carrie Fisher lembrei-me da piada do Jorge Pontual, jornalista da Globo News, quando de sua morte. Esta frase é bem pesada escrita desta forma. Porém aqui esclareço que ele não o fez se não como uma homenagem à atriz.

Esqueci de mencionar em minhas notas que hoje li o texto do Contardo Calligaris, chamado, "As redes sociais são o fim da moralidade moderna". É interessante o texto do Contardo porque ele é para um leitor não-apressado. Ou seja, o leitor que deparar-se com este título logo pensará que se trata de um velhaco ofendendo os jovens que usam redes sociais.
Ao lermos o título devemos parar, respirar, e ler atentamento o texto guiados pelas perguntas, "O que ele chama de moralidade moderna?". E "como as redes sociais encerram-na?".
É interessante esse título porque em momento algum ele te faz pensar em melhor ou pior. O título apesar te faz questionar "será que esta moralidade encerrada era antiquada para nossos tempos?". "Será que as redes sociais instauraram outro tipo de moralidade?". "Será que elas deixaram um vaco que pode ser preenchido no futuro?". Estas perguntas podem ser, se não respondidas, ao menos bem nutridas pelo texto do autor.
Mas ao ler aquele texto relembrei-me de outras questões. Certa vez uma colega de classe dirigiu-se a minha pessoa para questionar-me sobre quais atributos eu mais buscava em uma companheira. Dado minha juventude e propensão ao humor sarcástico respondi-lhe "uma boceta".
Apesar de assumir a arrogância com que respondi-lhe neste caso, preciso salientar que minha resposta continha várias interpretações, todas as quais - obviamente - eu pensara nos 0,7 segundos de que dispus para dar minha resposta. A primeira e mais óbvia, é a de que teoricamente todas as mulheres cis têm de fábrica um órgão sexual que momento em questão nomeei como "boceta". Ou seja, a condição que criei é totalizante, abarca todo o domínio do objeto que foi-me questionado. Era uma condição que não restringia nenhum único elemento do conjunto ao qual me referia.
Infelizmente a pluralidade de sentidos não pôde ser apreciada pela minha colega, que rira de minha resposta como se ela contivesse um cunho meramente sexual no qual obviamente eu nem mesmo pensara naquele momento.
Porém, eu conto esta história não por nenhuma razão se não aquela de comentar o final do texto. No qual aparece a ideia de solidão.
Certamente se hoje alguém mais maduro - o que é difícil de pensar, já que não dá para aceitar essa questão de alguém "maduro" - questionasse sobre características de companheiras, etc e tal... sem dúvida eu lhe responderia "uma pessoa que soubesse curtir a solidão". No sentido de estar sozinho mesmo. Não no sentido de, sei lá, ter uma úlcera mas não ter hospital por perto. Não, não é isso. Hoje veja essa solidão, da qual o Contardo anuncia seu fim, como um logro.
Um logro, algo que se alcança com esforço, como músculos - após muito treino. A solidão é um exercício de si sobre si mesmo. Entra naquele gênero de trabalhos dos quais obtemos como produto o próprio ser que somos.
Nos exercícios de solidão obtemos nossa civilização e a capacidade de sermos cidadãos no mundo moderno, aquele que separa público-privado, família-trabalho - é-nos frutífero lembrar que no império romano (que é citado por Calligaris), não havia nem mesmo banheiro com divisórias. Os banheiros eram todos públicos. Nos quais poder-se-ia estar para discutir assuntos da cidade, fazer fofoca e intrigas - tipo hoje em dia, só que sem a parte das divisórias nos banheiros, mais ou menos parecido com os banheiros chineses, que logo (espero) deixarão de realmente existir.
Que minhas companhias saibam curtir a solidão é um requisito que peço por crer que se posso passar um tempo de qualidade ao lado delas, é de suposto que elas próprias possam dispor de si mesmas com prazer.
A solidão doce e confortável de bastar-se a si mesmo é o que a précio no outro, e é esta solidão, do pensamento de si consigo mesmo, que permitirá desenvolvermos outra moralidade. Esta já não mais caduca nem desagradável como as outras.

Assisti mais um episódio da Dark. Tá difícil de eu gostar dessa série. Mas é como o padre fala, não é por termos um problema respiratório que largaremos nosso pulmão de lado...

Assisti metade do documentário Best of enemies. Um documentário sobre o qual o Pedro Mexia comentou HÁ MAIS DE UM ANO. Eu estava empolgadíssimo para vê-lo. Ao começar a assistir, achei chato - porém interessante - e terminarei de vê-lo amanhã mais tardar sábado. Eu deveria estar ao lado do Gore Vidal por ideologia mas por alguma razão que desconheço identifico-me muito mais com o estilo do Bill Buckley. O documentário mostra uma menina, bem gata por sinal, perguntando ao conservador se ele achava que mini-saias eram de bom gosto. Buckley respondeu, "em você sim". Aqui vemos um conservador como tem que ser, bem humorado e um intelectual exemplar, hétero...

Pedro Possebon, Santo André, 7 de dezembro de 2017.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A busca pelo significado das palavras é a busca pela verdade dos pensamentos e descrições que montamos usando tais palavras.

sábado, 7 de outubro de 2017

Liberdade de expressão e politicamente correto

Liberdade de expressão e politicamente correto
"Antes de Elvis, não havia nada". Com tal frase um dos maiores músicos deu início a nossa era...
Era na qual estabelecer comparações, analisar grandes contextos e fazer sínteses perderia sentido. Apenas o presente imediato é capaz de falar sobre si próprio, hoje em dia. Como se os homens de nosso tempo vissem apenas uma série de coisas-em-si desligadas umas das outras e cada uma da própria história.
Convenhamos, em um passado muito recente éramos extremamente reprimidos quanto a nossa linguagem. Até hoje em Portugal você não vê a palavra "câncer" citada em um jornal. Sempre evitávamos dizer que algum homem (ou mulher) tinha um namorado (ou namorada), sempre usamos eufemismos quando eramos obrigados a mencionar alguma relação.
Hoje muito se questiona o chamado politicamente correto por algum autoritarismo em querer censurar a linguagem. Porém, sempre fomos autoritários. O politicamente correto, se serve para algo, é para respeitarmos alguns limites, numa época em que todas as amarras do passado foram sendo superadas.
Nunca ouve uma época em que estivemos mais livres, talvez por isso uma etiqueta para a liberdade nos soe autoritária.

Anticonsumismo III

Normalmente, quem cava foças não o faz contra o consumo de vasos sanitários.

Anticonsumismo II

Adoraria poder dizer que não é o dinheiro que faz minha felicidade.